Cansado. Poderia deixar frases mostrando a insatisfação como subnick do msn ou no Twitter, mas do que adiantaria? Atiçaria a curiosidade alheia, não resolveria o problema e ainda serviria de atrito em uma situação que já é desgastante. Guarda para si e compartilha com um ou outro bem próximo, que acompanha os capítulos dessa novela.
Dando murro em ponta de faca? Quem sabe... As mãos machucadas ainda têm forças para continuar tentando. Imaginação não falta para criar possibilidades de a coisa acontecer. Mas esbarra na realidade e na quase onipresença da lei de Murphy. Um roteiro planejado e a contagem regressiva para o tão esperado momento caem por terra com uma mensagem de duas linhas.
Tem horas que dá vontade de jogar a toalha. Ela se afrouxa entre os dedos e quase chega a tocar o chão. Pode até estar manchada com o sangue dos murros na faca. Volta a sentir o tecido firme na palma da mão e por mais algumas semanas a coloca de novo no pescoço.
Não é hora de abandonar a batalha. Batalha? Não, não está em guerra. Se fosse, entrou no terreno com grande desvantagem na briga pelo prêmio final... E isso pesa. Sabe que a compensação não é pra agora, mas não pede que seja, só quer doses pequenas de alegria perto do que poderia ter. Mas essas doses homeopáticas não vêm, e o pouco que tem vai sendo tirado pouco a pouco, dia após dia.
“Você é livre, anjo”, é o que ouve. Sempre quis ser chamado de anjo. Tem carta branca para seguir sua vida, mas não é tão simples, mesmo que perdesse o contato, apertar o botão “desliga” ou sintonizar outra estação.
Ao mesmo tempo, é uma linda história para decretar o fim. Na verdade, não há fim. Sente que é algo para a vida. Resta ter paciência para deixar o bolo no forno sem ficar abrindo a tampa toda hora para ver se está pronto. Manter o pudim na geladeira até que ganhe consistência. E ir preparando outros pratos nesse meio tempo, mesmo que jamais venham a ter o mesmo sabor.
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