3 de ago de 2009

Quermesse na favela

Noite de festa. O beco foi decorado com bandeirinhas feitas de jornais de supermercado, penduradas em volta das casas e passadas de um lado a outro em varais. Alguns galhos com folhas foram colocados nos portões. É a quermesse da favela.

No centro, duas caixas de som de 1,20m animam os moradores. No caminho até lá, uma fogueira esquenta a noite gelada. As crianças brincam e dançam próximas à música, sem se importar com o horário. Um locutor anima a disputa de forró. Para as crianças, o prêmio são duas garrafas de refrigerante. Já os adultos vão ganhar 12 latas de cerveja.

Ao olhar para trás, vê-se um fusca azul calcinha estacionado e donas de casa com bebês no colo, dando de mamar. Quentão, batida, bolos e tortas custam R$ 1. Cocada e cachaça saem por R$ 0,50. Mulheres acima de 40 anos voltam a agir como crianças, cantam e dançam sem vergonha de serem felizes. Sentem-se autênticas, sem máscaras nem preocupações sobre o que os outros vão pensar.

Alguns chegam e contam que apanharam da polícia em outro beco. Mas os homens de farda não ousam aparecer para estragar a festa. Naquela rua de terra, na qual os casais dançavam sobre cacos de ladrilho branco, não havia nada de errado. Se divertir não é crime.

Na dança, não há vencedor. As duplas empatam e o prêmio é dividido: uma latinha para cada um que dançou e o restante distribuído para os amigos que acompanharam e torceram. O que importa é o espírito de comunidade. Deu para molhar a goela.

Um comentário:

Tô Ligado disse...

O Tô Ligado! fez niver... passa lah depois

Abraços
Brunno